Servidores do Banco Central protestam por mais autonomia no serviço



Servidores do Banco Central (BC) fizeram uma manifestação, na manhã desta quinta-feira (29/3), em frente ao prédio. Na pauta da categoria está a busca por melhores condições de trabalho. As reivindicações giram em torno de três aspectos: adequação da nomenclatura e autonomia de trabalho, critério de acesso para os servidores do órgão (pedem apenas pessoas com nível superior) e correções de atribuições como arranjo de pagamentos. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central (Sinal) Jordan Alisson Pereira, as prerrogativas visam a autonomia com fim de melhor trabalho para o servidor.

“Não tem impacto orçamentário. A gente quer ter autonomia no nosso trabalho para um melhor serviço”, explica. Segundo Alisson, a discussão gira em torno de uma preocupação central, que é a respeito do controle da inflação. “Tem que sair do foco essa questão da inflação. Os ajustes monetários podem ser feitos de outras formas além dessa.” Para ele, a questão de políticas monetárias não deveria ser feita apenas com base na inflação e sim com base em projeções para a melhoria futura do sistema financeiro. “Se a meta definida passa do limite, o Banco Central faz uma política para abaixarmos o excedente”, explica.

Outro fato questionado pelo presidente do sindicato são as indicações políticas para cargos do Banco Central. Segundo ele, essa falta de autonomia causa uma evasão de funcionários qualificados que, provavelmente, irão trabalhar em outro setor público.

O coordenador do Banco Central e diretor financeiro do sindicato do DF, Gregório Lopes, de 50 anos, também reclama de questões políticas que influenciam o órgão. “O banco cuida do dinheiro que o povo tem. Nosso objetivo é proteger a moeda. Não devemos abrir o banco para a política”, sinaliza. Para ele, é necessário uma estrutura sólida para se garantir a eficiência do trabalho prestado. “Quando se tem autonomia, se garante baixos juros, por exemplo. É assim em países lá fora”, argumenta.

Henrique Segranfredo, de 38 anos, que trabalha há 11 anos no Banco Central também como coordenador, afirma que a autonomia garante o compromisso do órgão com a sociedade. “Nós precisamos de prerrogativas de autonomia para nos sentirmos seguros a oferecer um serviço bom para a sociedade”, comenta. Ele lembra que a manifestação não tem nenhuma relação com aumento salarial, apenas com a preocupação de melhores condições de execução do serviço. “O sistema financeiro seria mais seguro, mais eficaz”, informa.

O funcionário também critica o problema citado pelo presidente, sobre a evasão dos trabalhadores tanto para o setor público, quanto para o privado. “Você perde uma pessoa especializada para se tornar um auditor fiscal, por exemplo. Isso é um gasto público”, conclui.
Fonte: Correio Braziliense, em 29/03/2018
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