Temer tenta hoje traçar estratégia que garanta votos para a reforma da Previdência


Os aliados do presidente Michel Temer se reúnem hoje para traçar a melhor estratégia de abordagem aos deputados desertores da base governista para garantir o exército de 308 homens na batalha da Previdência na Câmara. Apesar do terreno instável e do prazo apertado, a ideia é aproveitar o posicionamento desfavorável para cercar o inimigo e atacar em três frentes de batalha de uma vez: ouro, prestígio e pressão.

A primeira delas será concentrada na liberação das emendas prometidas nas duas últimas guerras: as denúncias apresentadas contra Michel Temer pela Procuradoria-Geral da República. “Temos que mapear o que ainda não foi cumprido para ir atrás”, afirma o deputado Beto Mansur (PRB-SP), fiel aliado de Temer no campo de batalha.

A segunda atuação ganhou mais força ontem depois do encontro de Temer com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mesmo sem grandes comprometimentos por parte do tucano. A retirada estratégica dos integrantes do partido da arena de luta abre espaço para que deputados descontentes do centrão possam assumir um posicionamento com mais destaque. O primeiro a dar um passo à frente deve ser o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), pronto para assumir a vaga de Antônio Imbassahy (PSDB-BA) na Secretaria de Governo. A vaga no Ministério dos Direitos Humanos também ficará disponível para agradar aos ávidos a deixarem o papel de coadjuvante.

Os tucanos também são fundamentais na terceira e mais difícil frente de batalha. Historicamente defensor das mudanças, se o PSDB fechar questão pela reforma, governistas acreditam que será mais fácil convencer os deputados da base de que o voto “sim” às mudanças nas aposentadorias não significa a forca eleitoral. Entretanto, nem os mais otimistas no PSDB acreditam em um número maior de 30 dos 46 votos possíveis na bancada. “O Alckmin tem o respeito de todos no partido e, de fato, pode conseguir um voto ali, outro aqui, mas duvido que mude muito o cenário. Pode-se pedir qualquer coisa para um político, menos o suicídio eleitoral”, afirma um tucano que prefere o anonimato.

O principal caminho para o governo é mostrar aos parlamentares que estão preocupados com as urnas no ano que vem que, se a reforma da Previdência não for aprovada, a recuperação econômica vai ruir e o futuro será ruim para todo mundo. Neste momento, o cenário ideal vem ocorrendo: inflação baixa, queda de desemprego e a manutenção de um Produto Interno Bruto em crescimento sustentável. Entretanto, o mercado financeiro caminha baseado na expectativa de aprovação da reforma. Se ela não acontecer, o efeito é inverso. Na análise de interlocutores do presidente, todos cairão na trincheira das urnas: situação, oposições e indecisos.



Crivo das urnas

E é justamente o medo das urnas que faz com que parte da base governistas mude de lado e ajude a oposição a barrar a reforma. “Os deputados acreditam que o país não vai piorar nos próximos nove, 10 meses, o tempo até a eleição. E o desgaste do ano já foi demais para qualquer político. A reforma da Previdência só passa se vier de fora. Se vier das ruas para o Congresso e não do Planalto”, afirma um aliado reservadamente à reportagem. O discurso do parlamentar é repetido por vários outros que, inclusive, defendem, então, que o tema seja votado no fim de 2018, depois do crivo das urnas.

Se mesmo com a empreitada o exército dos 308 de Temer não se formar para enfrentar a reforma da Previdência na semana do dia 12, o jantar, hoje, também servirá para dividir responsabilidades. Os discursos da derrota momentânea já começam a ser traçados por aliados para que, entre mortos e feridos, alguns ainda consigam escapar do enterro eleitoral.

O jantar, patrocinado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contará com a presença dos presidentes de partidos, de ministros com influência política, além do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). “Funcionará como um pente grosso para saber quem precisará fazer o quê. A partir das estratégias, cada um dos soldados sairá a campo para convencer as pessoas. No outro domingo, dia 10, será a vez do pente fino para descobrir o que falta”, disse um aliado do presidente.

Para o professor de economia do Ibmec-MG Adriano Gianturco, se houver brecha o governo Temer tentará aprovar alguma coisa da reforma da Previdência. “No ano que vem, mais provavelmente. Alguma coisa pode ser aprovada, mas algo muito aquém do planejado anteriormente”, disse ele.

Fonte: Estado de Minas, em 03/12/2017

Todos os artigos e notícias são de responsabilidade de seus autores e fontes, conforme citados acima no link, não refletindo necessariamente a opinião do Portal do Servidor Federal.

Discuta este e outros assuntos de seu interesse no Fórum do Servidor Federal. Clique aqui para participar!

Acompanhe também o Portal do Servidor Federal pelo Facebook e pelo Twitter.

Clique aqui e faça cursos de capacitação 100% online com certificado, a partir de R$ 20,00.

Baixe gratuitamente nosso aplicativo, e receba um resumo de todas as notícias no seu smartphone.

Outras notícias em destaque: