Reforma da Previdência ficará reduzida à idade mínima


Após um dia recheado de notícias sobre a recuada do governo diante da possibilidade de não conseguir aprovar a Reforma da Previdência na Câmara, o líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira (PB), informou que o presidente Michel Temer defendeu a aprovação de pelo menos uma idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) para aposentadoria durante reunião com líderes partidários do Senado, no fim da noite desta terça-feira. Outros pontos da reforma proposta inicialmente pelo governo ficariam para a próxima gestão.

Mais cedo, O DIA conversou com o senador Paulo Paim (PT-RS) e ele havia cogitado a possiblidade de o governo não conseguir aprovar a reforma e jogar a proposta para o ano que vem. "O governo sabe que não tem os 308 votos necessários para aprovar a reforma. Portanto, não há chance disso acontecer porque temos feriado em novembro e dezembro acaba praticamente no dia 15", pontuou o senador.

Mesma opinião tem o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), Temer "perdeu as condições" para aprovar a reforma, mesmo que em um formato mais enxuto. "Acho que essa coisa de se tratar de idade mínima é tardia. Isso deveria ter sido colocado em um cenário lá atrás, com critérios de transição", afirmou Calheiros.

O discurso entre governo, base governista e aliados está desencontrado. Na segunda-feira, Temer admitiu pela primeira vez a possibilidade de uma derrota do governo ao tentar aprovar a proposta. "Se não quiserem aprová-la, paciência, mas eu continuarei a lutar por ela", afirmou.

Na terça-feira, foi a vez do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dizer que o governo não vai recuar na Reforma da Previdência. Segundo ele, há a possibilidade de aprovação do texto ainda neste ano. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu que Temer se reaproxime da base aliada para discutir a reforma. Em uníssono, somente o tom de ameaça: se a reforma não passar, as contas não vão fechar e o país não vai retomar o crescimento. "Ameaças, o governo faz ameaças, isso é terrorismo", adverte Paim.

Fonte: O dia, em 07/11/2017

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