Temer tenta minimizar greve e oposição vê derrota para governo

O presidente Michel Temer manifestou-se em nota sobre a greve geral desta sexta-feira em todo o país, tentando minimizar sua dimensão. Ele citou as manifestações políticas contrárias às reformas propostas pelo governo embora afirme que vai seguir com a “modernização da legislação nacional” com debate amplo e franco no Congresso Nacional.

Temer destacou que, “infelizmente”, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, o que acabou impossibilitando acesso ao local de trabalho ou de transitar livremente. Fatos isolados de violência, conforme assinalou o pedmedebista na nota, também foram registrados, como os “lamentáveis e graves incidentes” ocorridos no Rio de Janeiro.

“De forma ordeira e obstinada, o trabalhador brasileiro luta intensamente nos últimos meses para superar a maior recessão econômica que o país já enfrentou em sua história”, disse Temer. “A esse esforço se somam todas as ações do governo, que acredita na força da unidade de nosso país para vencer a crise que herdamos e trazer o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento social e do crescimento econômico”, completou.

Veja aqui a íntegra da nota.


Oposição

Parlamentares da oposição avaliam que a greve geral representou uma enorme derrota para Temer e sua agenda de reformas. “A gente tinha a avaliação de que a única maneira de se barrar as reformas era com a população protestando. Isso aconteceu hoje”, afirmou o deputado André Figueiredo (PDT-CE). “Eu não tenho lembrança de algo com essa dimensão na minha vida”, completou. Para seu colega de Estado José Guimarães (PT), “o governo continuará com medo enquanto houver mobilização”. Ambos acreditam que os governistas não têm condições de obter os 308 votos necessários para aprovar as mudanças das regras previdenciárias na Câmara.

Figueiredo e Guimarães, porém, têm avaliações divergentes a respeito das chances de aprovação da reforma trabalhista no Senado. Para o pedetista, será mais difícil barrá-la por três motivos: o texto já foi aprovado pela Câmara, “é uma matéria mais difícil de ser compreendida pela população” e precisa de maioria simples para passar. Na opinião do petista, a greve irá “repercutir fortemente” entre os senadores, que terão a oportunidade de alterar a reforma aprovada pelos deputados.

Consultores ligados a entidades sindicais também fazem avaliação positiva da greve e esperam aumento da dificuldade para aprovação das reformas.

Na opinião do petista, a greve irá “repercutir fortemente” entre os senadores, que terão a oportunidade de alterar a reforma aprovada pelos deputados. Consultores ligados a entidades sindicais também fazem avaliação positiva da greve e esperam aumento da dificuldade para aprovação das reformas.

Para João Guilherme Vargas Neto, assessor da Força Sindical, o protesto de hoje “muda o patamar” da relação do sistema político com as reformas. “O que se viu hoje foi o maior movimento organizado por trabalhadores desde a redemocratização. Um salto de qualidade. Se o governo adotar a estúpida linha de menosprezar essa movimentação, será um erro clamoroso”, afirmou. “Ouvi um ministro falando em fracasso. Como vai contrariar um fato que milhões de pessoas viram acontecer?”

Segundo ele, as centrais sindicais irão fazer uma reunião de avaliação da conjuntura na próxima terça, para definir os próximos passos, mas já estão articulando a divulgação de uma carta conjunta contra as reformas no 1º de maio.

Embora use expressões diferentes, o sociólogo Clemente Ganz Lucio, do Dieese, tem uma interpretação parecida a respeito do resultado do dia de protestos e paralisações. Ele chama a atenção para o fato de o movimento ter extrapolado o círculo de entidades e dirigentes ligados à esquerda, com a adesão de estudantes e professores da rede particular, apoio de igrejas e outras organizações. “Isso mostrou que o posicionamento contrário [às reformas] tem aderência em diversos setores da sociedade”.

A expectativa que se cria a partir de agora, afirma, é que o Senado dê “um outro tratamento” à reforma trabalhista aprovada na Câmara. Lúcio afirma que as entidades reconhecem a necessidade de modernização das relações de trabalho, mas não tiveram abertura para participar do debate no relatório produzido pelo deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), que foi aprovado.

“A proposta original do governo para a reforma trabalhista era mais restrita. Queria valorizar a negociação [entre patrões e empregados] colocando limites. Um dispositivo sobre direito de organização no local de trabalho era de muito interesse dos sindicatos. Quando a proposta chegou na Câmara, o relator jogou esse texto no lixo e fez outro muito maior, com alterações muito mais profundas, e sem nenhuma negociação. E tudo foi aprovando de forma muito rápida.”

Vargas Neto e Lúcio concordam que o nível de tensão e conflito tende a aumentar se não houver mudança desse comportamento por parte do Executivo e do Legislativo. “A sociedade reage. Os parlamentares são sensíveis ao que ocorre em suas bases. As coisas agora vão depender da leitura que as instituições irão fazer [da greve]. No limite, tem eleição no ano que vem”, disse Lúcio.

Fonte: Valor econômico, em 28/04/2017

Todos os artigos e notícias são de responsabilidade de seus autores e fontes, conforme citados acima no link, não refletindo necessariamente a opinião do Portal do Servidor Federal.

Discuta este e outros assuntos de seu interesse no Fórum do Servidor Federal. Clique aqui para participar!

Acompanhe também o Portal do Servidor Federal pelo Facebook e pelo Twitter.

Clique aqui e faça cursos de capacitação 100% online com certificado, a partir de R$ 20,00.

Baixe gratuitamente nosso aplicativo, e receba um resumo de todas as notícias no seu smartphone.

Outras notícias em destaque: