Concurso público para fisioterapeutas deve respeitar limite de 30 horas semanais de jornada de trabalho


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A Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região confirmou decisão da 1ª Vara Federal de Bauru, que determinou ao município de Macatuba, no interior de São Paulo, a regularização de concurso público para a contratação de fisioterapeutas, adequando a jornada de trabalho desses profissionais ao limite de 30 horas semanais, conforme a Lei Federal 8.856/1994.

O magistrado de primeira instância havia suspendido o certame e determinado a regularização da jornada de trabalho, ficando a critério do município, prosseguir ou não com o concurso, podendo adequar a remuneração dos profissionais, respeitado o piso salarial da classe.

Contudo, o município recorreu da decisão, alegando que a relação firmada entre a Administração Pública e o servidor celetista é independente e autônoma das interferências do setor privado, razão pela qual são inaplicáveis as legislações federais que regulam a jornada semanal ou o salário das categorias profissionais.

A desembargadora Marli Ferreira, relatora do acórdão, explicou que, de acordo com a Constituição Federal, a competência para dispor sobre a organização para o exercício de profissões é privativa da União, cabendo-lhe a edição de normas gerais no âmbito nacional, de observância obrigatória em todas as unidades da federação, inclusive nos Municípios.

Assim, ela concluiu que a prefeitura deve obedecer a Lei nº 8.856/94, que estabeleceu disposições gerais a respeito da jornada de trabalho dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

Ela destacou, ainda, que a Lei nº 8.856/94 determinou que a carga horária desses profissionais não pode ser superior a 30 horas semanais, não fazendo qualquer distinção entre servidores públicos e profissionais do setor privado, “não podendo o Município, em princípio, criar exceções não previstas em lei federal ou deliberar sobre elas de forma diversa”, afirmou.

Porém, a desembargadora ressaltou que a remuneração dos servidores não pode ter qualquer tipo de vinculação, podendo o município adequar a remuneração dos servidores, sem necessariamente se pautar pelo piso salarial da categoria.

Sobre esse ponto, ela citou entendimento do Supremo Tribunal Federal: “não é cabível ‘qualquer espécie de vinculação da remuneração de servidores públicos’, sendo vedada, portanto, ‘a vinculação da remuneração de servidores do estado a fatores alheios à sua vontade e ao seu controle, seja às variações de índices de correção editados pela União, seja aos pisos salariais profissionais’" (ADI 290, Relator: Ministro Dias Toffoli).

Além disso, ela destacou que o piso salarial dos profissionais não é fixado por meio de lei federal.

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0012392-25.2015.4.03.0000/SP

http://web.trf3.jus.br/noticias/Noticias/Noticia/Exibir/336475

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