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17 setembro 2015

Servidores federais estão se mobilizando para reagir ao anúncio do novo pacote de cortes do governo que atingiu em cheio a categoria. Além de romper com a sinalização de um reajuste de 10,8% em dois anos (2016-2017) - que estava previsto para ter início em 1º de janeiro do próximo ano e foi empurrado para agosto – o governo também quer atingir mais de 100 mil servidores que poderiam se aposentar e recebem abono de permanência para continuar trabalhando. Somadas à suspensão de concursos públicos, necessários para reposição da mão de obra no setor público, as medidas podem gerar um colapso no atendimento já insuficiente que é destinado à população que depende dos serviços públicos e paga em dia seus impostos, cada vez mais altos.

Ontem, representantes do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasef) se reuniram em Brasília e aprovaram um calendário de atividades que inclui um dia nacional de paralisação no setor público na próxima quarta, 23, com uma grande atividade na capital federal. A Condsef também participa de um ato nessa sexta, 18, na Avenida Paulista em São Paulo contra o ajuste fiscal e repudiando o pacote de cortes que só penaliza a classe trabalhadora. As entidades também vão ao Congresso Nacional onde devem promover um trabalho intenso de convencimento junto a parlamentares de que essas medidas que voltam a penalizar os trabalhadores não são a solução para a crise brasileira. A intenção é reunir também outros representantes dos movimentos sociais prejudicados pelas políticas de ajuste fiscal e pressionar o governo a adotar outras medidas capazes também de conter o momento de crise sem penalizar exclusivamente a maioria da população.

Matéria da Carta Maior traz uma dessas soluções, apontada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Se taxasse em 15%, via imposto de renda, os lucros e dividendos recebidos por acionistas de empresas, o governo teria um aporte de R$43 bilhões / ano em seu orçamento. Leia aqui a íntegra da matéria. Há ainda a opção de encaminhar proposta para taxação das grandes fortunas, rastrear e penalizar grandes sonegadores, promover a necessária e urgente auditoria de nossa dívida pública, entre outras tantas possibilidades.

Repassando, mais uma vez, a conta de uma crise para a classe trabalhadora, o governo não só amplia um cenário de insatisfação já intenso como pode terminar adiando o fim das intempéries. Impor aumento de impostos, arrocho salarial e outras mazelas direcionadas aos trabalhadores e continuar garantido altos lucros a muito poucos nunca será boa receita para consolidar um país desenvolvido, economicamente forte e justo.
http://condsef.org.br/inicial/7060-2015-09-16-22-57-12
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