Impasse na negociação instiga trabalhadores dos Correios à greve geral


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Foi infrutífera e agressiva por parte do patrões a última reunião de negociação direta antes da data definida para deflagração da greve nacional dos trabalhadores dos Correios. Apesar da intensa mobilização da categoria, a empresa apresentou nesta quinta (10) duas propostas que não contemplam as reivindicações dos trabalhadores do setor, além da mudança arbitrária no plano de saúde da categoria, o que acirrou o impasse nas negociações. Às 14h desta sexta-feira (11), o Tribunal Superior do Trabalho – TST, realizará uma reunião de intermediação entre as partes, na tentativa de resolver o conflito.

Para o secretário geral da federação que representa a categoria nacionalmente- Fentect, José Rivaldo da Silva, um dos maiores impasses nas negociações da Campanha Salarial diz respeito ao plano de saúde da categoria, que atualmente pode contemplar familiares dos trabalhadores como dependentes e possui pagamento de acordo com o uso. O novo plano imposto pela ECT retira os dependentes e estipula valor mensal de pagamento para a utilização do plano.

Em virtude da insistência dos Correios em fechar acordo e colher assinatura das entidades sindicais no que diz respeito às mudanças no plano de saúde, o Comando de Negociação que representa os trabalhadores afirmou energeticamente que não há concordância em relação a essa cláusula. Revelando autoritarismo e indisposição para o diálogo, um representante da ECT convidou o secretário geral da Fentect a se retirar da mesa de negociações, ato que foi compreendido como desrespeitoso por toda as lideranças sindicais presentes. Por isso, todo o Comando de Negociações se retirou da mesa em protesto, distribuindo posteriormente nota de esclarecimento e repúdio ao desaforo do representante patronal.

“Não podemos aceitar uma proposta econômica que sequer cobre as inflações do período, e também não faremos acordo com essa retirada de direitos que é o novo plano de saúde. Por isso, é essencial que os trabalhadores continuem participando das assembleias para que a nossa greve geral acabe com a intransigência dos patrões e obrigue a empresa a apresentar uma proposição decente, e que contemple as necessidades da categoria”, afirma o secretário geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

Entre outros pontos, a Campanha Salarial da categoria reivindica aumento real de R$ 300, 12% de reposição inflacionária, auxílio alimentação de R$ 40, incorporação no salário da Gratificação de Incentivo à Produtividade – GIP e vale-cesta de R$ 400. A primeira proposta apresentada pela ECT não contempla reajuste salarial, estipulando índice de 9,36% de atualização do reembolso creche/babá, incorporação de R$ 100 referentes à GIP a partir de janeiro de 2016 e uma nova gratificação nos modelos da GIP no valor de R$ 150, a ser incorporada no mesmo período. Em relação ao auxílio alimentação, a ECT reafirmou a proposta de reajuste de 9,36%, que faria o valor do benefício subir de R$ 30,13 para R$ 33, quantia ainda abaixo dos R$ 40 reivindicados pelos trabalhadores.

Já a segunda alternativa apresentada pela empresa, mantém os mesmos números para o reembolso creche/babá e auxílio alimentação, mas deixa de incorporar as gratificações e oferece de 6% de reajuste salarial divididos em duas parcelas.


Carta à população

Diante da intransigência patronal, o sindicato que representa os trabalhadores dos Correios em Brasília – Sintect elaborou uma carta aberta à população, onde explica os motivos da greve e solicita apoio e compreensão da população. No documento, a entidade sindical afirma que a categoria sofre cotidianamente com o excesso de trabalho, uma vez que a empresa se recusa a contratar novos funcionários. Além disso, o sindicato alerta sobre a ausência de condições dignas para desempenhar suas tarefas e os riscos de privatização que rondam os Correios.

“Nas assembleias, sentimos que a categoria está revoltada com as propostas oferecidas pela ECT e disposta a cruzar os braços em prol de seus objetivos, especialmente no que diz respeito às melhorias nas condições de trabalho. Continuaremos mobilizados e estamos dispostos a nos reunir com a empresa a qualquer momento para negociar até o dia 15, mas não acreditamos que a situação vá avançar, o que obrigará o trabalhador a fazer uso de sua maior ferramenta de luta, que é a greve geral”, esclarece Jovan Sardinha, dirigente do Sintect.

http://www.cutbrasilia.org.br/site/impasse-na-negociacao-instiga-trabalhadores-dos-correios-a-greve-geral/

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