Atos unificados nos estados cobram resposta do governo à pauta da greve


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Enquanto o Comando Nacional de Greve (CNG) do ANDES-SN se reunia em Brasília (DF) na quinta-feira (3) com representantes do Ministério da Educação (MEC) para discutir as reivindicações específicas da categoria e cobrar resposta imediata à pauta do movimento, os docentes federais em greve, de todo o país, responderam à orientação do CNG e realizaram manifestações contundentes e unificadas, ao lado de técnicos e estudantes, nas Instituições Federais de Ensino (IFE). O objetivo da realização das diversas atividades nos estados era dar visibilidade à greve e pressionar o governo federal para a abertura das negociações em torno da pauta da categoria docente. Além de forçar os reitores a responderem as pautas locais da categoria e a revelarem o impacto, nas contas das IFE, dos cortes na Educação Federal. Os docentes federais estão em greve há mais de três meses e, atualmente, o movimento paredista conta com a adesão de 49 seções sindicais.

Na capital federal, os docentes federais realizaram uma vigília em frente ao MEC, onde ocorria a reunião entre representantes do Ministério e o Comando Nacional de Greve. No Rio de Janeiro, os docentes da Universidade Federal Fluminense (UFF), ao lado dos técnico-administrativos, estudantes, trabalhadores dos movimentos sem-teto (MTST) e demitidos do Comperj e demais movimentos sociais, realizaram mais de oito horas de manifestações em defesa da universidade pública, contra os cortes no orçamento da educação e pelo avanço nas negociações com o governo. Segundo Luciana Collier, integrante do CNG e docente da UFF, a mobilização teve início na manhã de quinta-feira com a ocupação do jardim em frente à reitoria, com todos os manifestantes vestidos de preto em luto pela situação precária em que vive a instituição e pela greve. De tarde, os manifestantes fecharam um cruzamento, segurando faixas e cartazes para expor a sociedade os motivos da greve e as reivindicações da categoria. Após o bloqueio das avenidas, os manifestantes retornaram ao jardim da reitoria e ocuparam o espaço até às 23h. “Foi um ato de sucesso e conseguimos obter o que propomos. Projetamos imagens no prédio da UFF com o que está acontecendo e o que estamos fazendo. Neste sentido, conseguimos abrir as portas para a sociedade e estabelecer um diálogo direto”, contou a docente.

No Pará, foi realizada uma vigília na tarde de quinta no mesmo horário da reunião com o MEC, em Brasília. Para mobilizar a categoria, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará – Seção Sindical (Adufpa-SSind.) promoveu uma extensa programação cultural, com músicas e danças na Concha Acústica do prédio do Vadião, a fim de congregar os docentes no local e acompanhar as negociações. Pela manhã, uma delegação representativa de professores da Ufpa fortaleceu a mobilização dos SPF em greve. Na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), os docentes fecharam os portões da instituição e bloquearam, por cerca de 30 minutos, a Avenida Perimetral. Com carro-som e portões fechados, eles denunciaram a intransigência do governo federal, que insiste em conceder um reajuste de 21,3%, parcelado em quatro anos, que já foi rejeitado pelo funcionalismo federal.

Em Lavras (MG), centenas de professores, técnicos e estudantes se reuniram na praça central da cidade, em defesa da universidade pública. De acordo com Júlia Moreto Amâncio, integrante do CNG do Sindicato Nacional e docente da Universidade Federal de Lavras (Ufla), houve uma grande adesão da comunidade acadêmica, o que foi resultado de uma intensa mobilização entre os comandos locais de greve da Associação dos Docentes da Ufla (Adufla-SSind.), e dos técnico-administrativos, juntos com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pós-graduandos. “Essa semana nós protocolamos a nossa pauta interna e estamos aguardando a reposta da reitoria para iniciarmos uma negociação. Enquanto isso, nós realizamos algumas atividades, como uma blitz que parou o trânsito da cidade, fizemos também uma panfletagem em todo o campus e ontem conseguimos reunir cerca de 100 professores na praça principal da cidade e atraímos atenção de toda a mídia regional e estadual para a greve”, contou a docente.

Em Ouro Preto (MG), os docentes do Comando Local de Greve da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Ouro Preto – Seção Sindical (Adufop-SSind.) se reuniram com o reitor da Ufop durante a tarde. Eles entregaram um documento com as demandas da categoria, em que reiteraram a manutenção da greve e registraram o que consideram como práticas antissindicais, assédio moral e/ou abuso de autoridade, neste contexto de excepcionalidade de greve. Além destas questões, o documento também solicita informações complementares relativas ao quadro orçamentário e de pessoal.

Em Juiz de Fora (MG), o Comando Local de Greve (CLG) da Associação dos Docentes de Ensino Superior de Juiz de Fora – Seção Sindical (Apes-SSind.) realizou o “Ato Vigília: Reunião MEC e ANDES-SN”, em frente a reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com cartazes marcando os 100 dias de greve. Um dia antes, o CLG se reuniu com o reitor da instituição para discutir sobre os aspectos orçamentários, financeiros e o andamento das obras da universidade. O reitor se comprometeu a fornecer ao comando esclarecimento oficiais sobre as questões financeiras da UFJF. A reunião faz parte ainda da campanha “Abre as portas reitor (a)”.

Na Paraíba, em Campina Grande, professores, estudantes e técnico-administrativos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) realizaram ato público em frente à reitoria da universidade para intensificar a campanha “Abre as contas, Reitor (a)”, para a divulgação dos impactos dos cortes orçamentários na instituição e cobrando respostas do reitor à pauta local dos docentes. Ainda na UFCG, no campus da cidade de Patos, ocorreu uma ação unificada com a realização de uma passeata conjunta dos servidores públicos, das três esferas, saindo de uma praça central até a prefeitura da cidade.

Em Macapá (AP), docentes, técnicos e acadêmicos da Universidade Federal do Amapá (Unifap) realizaram no decorrer do dia várias atividades em consonância com as demais Instituições Federais de Ensino. Pela manhã, a comunidade acadêmica ocupou a entrada da reitoria da universidade. E de tarde ocorreu uma vigília. Camila Lippi, integrante do CNG e docente da Unifap, contou que o ato teve uma boa adesão. “Todos nós estamos sentindo os impactos desses cortes no orçamento da Educação e estamos nos mobilizando contra esses cortes. O momento agora é de pressionar o governo federal a responder a pauta dos docentes. Foi uma manifestação muito bonita”, contou.

Em Goiânia (GO), docentes e técnicos em greve realizaram, pela manhã, uma passeata em unidade com os SPF para pressionar o governo a oferecer uma proposta salarial mais adequada para os servidores. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes no ato. Os docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram ato em frente à reitoria. No dia anterior, docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos em greve do campus Palotina da instituição realizaram uma manifestação no centro da cidade para dialogar com a população. Durante o ato, a comunidade acadêmica usou faixas e camisetas e entregou panfletos para alertar sobre a greve. Além disso, representantes das três categorias fizeram falas sobre os principais problemas que a educação pública vem enfrentando nos últimos tempos.

Em Fortaleza (CE), os docentes, técnicos e estudantes das Universidades Federal do Ceará (UFC), da Integração Internacional da Lusofonia Afro­Brasileira (Unilab), da Federal do Cariri (UFCA) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) se uniram aos demais servidores públicos federais de diversas categorias em greve de todo o estado e saíram às ruas em protesto contra o ajuste fiscal, que vem sendo implementado pelo governo federal.


Ocupação estudantil

Além dos atos realizados pelos docentes federais em greve nos estados, estudantes também têm organizado manifestações e ocupação de reitorias como forma de reivindicar melhorias nas instituições federais de ensino. Estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) ocuparam a reitoria no dia 1° de setembro para reivindicar aumento de verbas para a assistência estudantil e um modelo de educação que possibilite a permanência na instituição, bem como democracia e paridade na instituição. Entre as reivindicações estão a ampliação do restaurante universitário, aumento do valor das bolsas, manutenção e ampliação das residências, creche universitária. Os estudantes foram tirados pela Polícia Federal no dia seguinte. Na UFPR, os estudantes ocupam a reitoria desde o dia 31 de agosto contra os cortes de recursos nas instituições de ensino. Eles exigem o pagamento de bolsas em atraso, a manutenção das bolsas-monitorias e o congelamento do valor cobrado no restaurante universitário (RU), em R$ 1,30. Dezenas de estudantes das Casas de Estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) também estão mobilizados contra os cortes na permanência estudantil e ocupam, desde quarta-feira (2) a reitoria da instituição.

Os estudantes da Universidade Federal do Amapá (Unifap), junto com Diretório Central dos Estudantes (DCE), ocupam a reitoria desde a última quarta-feira (26). Eles protestam contra os cortes na educação por parte do Governo Federal e contra ataques da atual gestão da reitora.

Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os estudantes estão acampados na reitoria da instituição, desde segunda-feira (31), como forma de protesto contra o anúncio do início do calendário do segundo semestre para o dia 8 de setembro. Os manifestantes reinvidicam um calendário unificado que inicie apenas após o fim da greve dos docentes.

http://grevenasfederais.andes.org.br/2015/09/04/atos-unificados-nos-estados-cobram-resposta-do-governo-a-pauta-da-greve/

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