Por que o emprego público foi a melhor opção salarial de 2014


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A perda de fôlego da economia brasileira já está respingando no mercado de trabalho. No Caged, o saldo de vagas formais criadas nos últimos 12 meses até outubro soma 473.796 – o desempenho mais fraco desde o pico da crise de 2009. Outro sinal dessa paradeira é a evolução dos salários. Um indicador elaborado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP) e o site de empregos Catho, com base em dados do Ministério do Trabalho, mostra que o salário médio de admissão, na mesma base de comparação, ficou, descontada a inflação, estagnado. Isso mesmo: ganho real zero.

Em meio a tantos dados negativos, chama a atenção o desempenho da administração pública. Tirando a alta dos preços (medida pelo IPCA), quem ingressou no setor público experimentou um aumento de salário de 11,2% nos últimos 12 meses até outubro. E, mesmo sem considerar a variação e somente o valor dos salários iniciais, ninguém se deu melhor no Brasil que o servidor público em 2014 – nem a indústria, nem o comércio ou a construção civil. É um salário de contratação de R$ 1.808, 52,5% a mais que a média dos setores produtivos (R$ 1.185).

Antes, uma pausa: por que estamos olhando o salário de admissão e não a remuneração média de toda a população ocupada? Para a Fipe, o salário de admissão é um termômetro mais ágil do comportamento do mercado de trabalho. É fácil concordar. Mesmo em tempos cinzentos, as empresas pensam duas vezes antes de demitir, de olho nos altos custos trabalhistas. Quem acaba recebendo esse “desconto” é quem está ingressando em um emprego novo. Agora, se for por reposição de demitidos mais “caros”, esse movimento fica ainda mais claro.

Vai ficar assim? É verdade que faltam dois meses de estatísticas para fechar o ano, mas é pouco provável que algum setor consiga uma arrancada para superar a administração pública. E também vale a ressalva que estamos olhando para o passado. Se aconteceu em 2014, não quer dizer que vá se repetir no ano que vem, quando o governo dá mostras de que vai se esforçar para reequilibrar as contas públicas e entregar um esforço fiscal razoável.

Se não é das melhores notícias para as finanças públicas, esse crescimento salarial dá a dimensão da estabilidade do setor público e ajudar a explicar a verdadeira multidão que dedica anos de estudo para ser aprovada numa seleção. Segundo uma estimativa da Anpac (Associação Nacional de Proteção e Amparo aos Concursos Públicos), 12 milhões de brasileiros disputam anualmente cargos nas esferas municipal, estadual e federal.

Menos vagas, mais salário. Isoladamente, quem olha os dados salariais da indústria (veja mais acima) pode se surpreender com o desempenho mais forte que a média – tirando, claro, o emprego público. “Como a indústria está fechando vagas, é provável que o setor esteja contratando pessoal mais qualificado para dar conta do trabalho que antes era executado por mais pessoas”, afirma Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe. Se criação de emprego e avanço salarial estivessem andando juntos, diz ele, o movimento poderia ser considerado mais saudável. Não é o caso.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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